Em 2021 recebemos uma notícia extremamente chocante, para a qual não estávamos preparados, Lucinda Riley tinha morrido, o anúncio foi feito por seu filho no perfil do Instagram da escritora. Além do luto, muitas dúvidas surgiram na cabeça dos fãs da escritora, principalmente daqueles que seguem com afinco os livros da série “As Sete Irmãs”, que ainda não foi concluída.
As respostas foram apresentadas aos poucos, Lucinda deixou alguns livros prontos, outros com roteiro manuscrito para que seu filho mais velho, e companheiro de literatura, os terminasse, a série não ficaria sem fim.
O que ninguém esperava era que seu primeiro lançamento póstumo fosse um romance policial, um estilo no qual Lucinda nunca havia se arriscado, surpreendendo a todos, e provocando uma imensa curiosidade em cima da obra.
Logo nas primeiras páginas do livro, antes de a história começar realmente, Harry Whitakker, o filho da escritora, deixa bem claro do que se trata a obra e como ela foi construída: o livro estava terminado quando sua mãe faleceu, não tinha passado por qualquer tipo de leitura beta ou edição, ela provavelmente teria cortado partes e inserido outras durante este processo, mas ele resolveu não faze-lo, Harry fala que escolheu apenas fazer o trabalho leve de edição, com correções no texto e em detalhes dele, sem afetar sua estrutura de nenhuma forma.
Lucinda faleceu em 11 de Junho de 2021, e o livro foi lançado simultaneamente no Brasil e em outros países, em 26 de Maio deste ano, menos de 1 ano depois da morte da querida escritora, um trabalho muito bom das pessoas que rodeiam sua carreira.
Coloquei estes detalhes antes de falar propriamente sobre o livro por que para mim eles são mais importantes que qualquer enredo literário, livros são feitos de emoções, as que eles podem causar em quem lê, e também aquelas que o próprio livro carrega, e antes de começar a ler a história eu já estava quase chorando por pensar em tudo que existiu por trás dessa obra magnífica, dando um peso para absurdo para sua qualidade, eu já nem queria saber mais se Lucinda sabia escrever suspenses tão bem quando escrevia romances românticos, eu tinha decidido que esse livro seria bom antes de começa-lo, e imagino que quem esteja lendo este texto também já tenha decidido comprar o livro.
Mas ai veio a história, e eu me emocionei ainda mais, vendo o quão genial a escritora era, por poder passear em outros estilos literários com a mesma qualidade que escrevia seus romances.
“- Houve um incidente no internato local, nos arredores de Foltesham. Um aluno foi encontrado morto em seu quarto no sábado de manhã. Fui chamado porque ele é filho de um advogado que acabou de conseguir a extradição de dois terroristas de peso para o Reino Unido.”
Um garoto acaba de ser encontrado morto no seu quarto no internato onde estudava, aparentemente ele tomou comprimidos de aspirina, os quais ele sabia que era extremamente alérgico, sim, tem gente alérgica a aspirinas, tem gente alérgica até a água, imaginem só, que loucura, e então ele está morto, durinho da silva, e fica a dúvida, teria sido um acidente, ele quis cometer suicídio ou alguém teria trocado seu medicamento para causar a morte de forma proposital? Jazmine Hunter é designada para investigar a morte de Charlie Cavendish, e mesmo estando afastada dos trabalhos policiais ela aceita o caso e descobre rapidamente que o garoto não era tão bem quisto na escola, praticava bullying com outros alunos e um deles especificamente teria belos motivos para cometer aquele crime.
Em meio a tudo isto, mais sumiços e mortes, além de um passado tenebroso, todos estes detalhes formam o enredo envolvente e uma leitura muito gostosa de Morte no Internato. O suspense é muito bem inserido na história, com acontecimentos coerentes e uma investigação muito realista. A intensidade de inicio do livro é muito boa, com o crime em suas primeiras páginas, seguido pelo inicio das investigações, construindo 150 páginas de leitura incessável, você não consegue largar o livro, e quando acha que está tudo resolvido nota que ainda faltam mais de 200 páginas, e ai entra a genialidade de Lucinda, ela pausa o ritmo, falando da vida pessoal dos personagens, inserindo os elementos que fizeram tanto sucesso na série “As Sete Irmãs”, fazendo o leitor quase esquecer que existia um caso para ser resolvido ali e quando você menos espera ele está de volta, ainda mais intenso, com você sabendo detalhes secretos da vida de todo mundo, e ainda mais envolvido com a história, simplesmente fabuloso. Um livro incrível, muito bem escrito, muito bem editado, com uma história única, singular, e que tem bastidores ainda mais inesquecíveis e que dificilmente encontraremos com tanta qualidade novamente.
A literatura pra mim sempre foi entretenimento, leio para me divertir, mas quando a emoção vem aliada ao divertimento, aliado a deixar você encantado com a história, que emociona antes mesmo da leitura começar, e que torna o livro épico, inesquecível, o livro é TÃO bom que é daqueles que qualquer pessoa vai gostar, ele agrada gregos e troianos, não tem defeitos, e tem coisas que só ele tem. Não veremos Jazz novamente, infelizmente, não teremos mais livros de suspense saídos da mente brilhante de Lucinda, mas ainda teremos mais livros dela, este é apenas o primeiro lançamento póstumo da escritora, que ainda vai abrilhantar muito as livrarias e nossas estantes, que nós saibamos aproveitar os últimos lançamentos de Lucinda e sua literatura memorável.
Livro: Morte no Internato
Escritora: Lucinda Riley
Editora: Arqueiro
Páginas: 384
Nota: 6/5 (Sim, 6 de 5, porque ele é simplesmente perfeito)